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	<title>Arquivos Artigos - Colégio Santo Afonso</title>
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	<description>Educação Católica Clássica em Manaus</description>
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	<title>Arquivos Artigos - Colégio Santo Afonso</title>
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	<item>
		<title>A diferença da Educação Clássica</title>
		<link>https://colegiosantoafonso.org/a-diferenca</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[suporte]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Jan 2019 11:54:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O coração da diferença entre a educação clássica e a atual não está no currículo nem nos métodos de ensino, embora estas diferenças existam</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A nós, que normalmente tivemos uma educação progressista, pode parecer nebulosa a ideia da educação clássica. Se na ciência e na tecnologia voltar atrás na história uns trezentos anos é impensável, por que seria diferente com a educação? <strong>Por que desprezar o modelo de ensino que hoje impera em nossas escolas em busca de um ideal &#8220;do passado&#8221; que todos já julgavam morto?</strong></p>
<p>A provocação pode se agravar ao pensarmos no currículo. Latim, uma língua que ninguém fala fora dos círculos eclesiásticos e jurídicos? Literatura Clássica, livros com centenas ou milhares de anos? Foco nas Humanidades, quando o que mais importa é, geralmente, a técnica? Moral, em tempos de tão intenso relativismo? Parece apego irracional ao passado.</p>
<p>No entanto, ao vemos o absoluto fracasso da educação moderna, em que muitas vezes doutores e graduados são incapazes de construir argumentos inteligíveis ou se articular, professores não sabem nem a própria língua e reina absoluta ignorância, ao ponto de grande parte da população, apesar de saber ler, não se pode dizer propriamente alfabetizada, pode nos vir uma dúvida: <em>— Será que foi sempre assim?</em> E basta abrirmos um desses livros velhos de centenas ou milhares de anos para, respondida esta primeira pergunta com um firme — <em>Não!</em>, vir-nos outra: — <em>O que aconteceu?</em></p>
<p>Vivemos em uma época tumultuada. As instituições, costumes e padrões estão em constante e rápida mudança. Nossa cultura está cada vez mais instável, insegura de si mesma, buscando novidades. Esta avidez por novidades gera uma sede ainda maior por mudanças. Mudanças radicais. E de mudança em mudança, de revolução em revolução, cada vez com maior inocuidade, a mudança virou rotina, e uma rotina tediosa e previsível. Em meio a esta confusão, perdemos o caminho. E quando se perde o caminho, a maneira mais efetiva de seguir em frente é voltar atrás, até o ponto em que reconhecemos, e dali, buscando as direções deixadas pelos que nos precederam, continuar avançando no caminho certo.</p>
<p>No caso da Educação, talvez não tenha sido apenas o caminho que tenha sido perdido, mas a própria essência. O que chamamos de educação hoje, embora guarde semelhanças fortes, tem pouco a ver com o que era educação no passado. O coração da diferença entre a educação clássica e a atual não está no currículo nem nos métodos de ensino, embora estas diferenças existam. <strong>A grande diferença está no objetivo. A educação é a passagem da sabedoria e do conhecimento de uma geração para a outra</strong>, é uma transmissão cultural, como uma corrida de revezamento em que o novo corredor recebe o bastão muito à frente do que estava quando o atual corredor o recebeu – mas ainda é o mesmo bastão.</p>
<p><span style="font-size: 1rem;"><strong>O coração da diferença entre a educação clássica e a convencional, dizíamos, está no objetivo</strong>. </span>A maior diferença é filosófica. Ou, antes, teológica. A educação atual é, em última instância, nihilista, acreditando que vivemos em um grande vácuo sem sentido. <strong>A educação clássica repousa sobre o Fundamento do Ser. Todo o resto segue isso</strong>. Pode parecer difícil colocar o currículo e o método como secundário, mas é esta a grande diferença da Educação Clássica. O objetivo vem em primeiro lugar.</p>
<p>A segunda maior diferença, diríamos, é metafísica.A educação atual é orientada para o poder, para a carreira, para a formação (diplomas, capacitação) enquanto a educação clássica é orientada para a verdade. <strong>Para a Educação Clássica, a prática é serva da verdade, e não o contrário.</strong></p>
<p>Uma terceira diferença seria no nível ético. A educação atual parte da premissa de que o propósito da infância é a socialização. Já que não há verdade objetiva, o que importa seria aprender a conviver com a diversidade. <strong>A Educação Clássica, porém, rejeitando a ideia de que não há verdade, vê a infância como a época do desenvolvimento moral e intelectual.</strong></p>
<p>Uma quarta diferença seria no nível científico. A educação atual vê a ciência natural, pragmática, como a única verdade universal. <strong>A Educação Clássica, porém, não afirma que as ciências naturais são a única forma de adquirir conhecimento nem acredita que a ética, a metafísica e a teologia devam ser submissas</strong> ao conhecimento excepcionalmente limitado que pode ser alcançado através dos métodos do natural nem que ele é o único nem possa ser sujeito a revisões dialéticas. Por natureza, as ciências naturais não são definitivas. Elas só surgem em um contexto onde a metafísica e a teologia as apoiam. Culturas que acreditam que o mundo é uma ilusão não desenvolvem as ciências naturais muito longe.</p>
<p>Uma quinta diferença seria a própria cosmovisão. A educação atual prega que nada é verdadeiro, que tudo é permitido: <em>— Você tem a sua verdade, eu tenho a minha. </em>Em poucas palavras, prega que não há verdade ou que ela não é compreensível. <strong>A Educação Clássica, porém, percebe que o </strong><span style="font-size: 1rem;"><strong>mundo dá amostras da ordem com que foi criado e que essa ordem é cognoscível, </strong>por isso ensina o aluno a obter esse conhecimento e, usando as ferramentas certas, conhecer melhor a perfeição daquele que criou esta ordem.</span></p>
<p>As sete artes liberais foram desenvolvidas precisamente para esse fim. Acreditando que podemos conhecer a verdade, e acreditando que a verdade liberta, os educadores clássicos gastaram milhares de anos refinando as ferramentas de busca da verdade que foram usadas desde o início dos tempos, mas foram primeiro codificadas por Aristóteles.<strong> As sete artes liberais são o refinamento do senso comum. Eles nos permitem usar as faculdades da razão dadas por Deus para descobrir a verdade.</strong> Eles podem até mesmo, se os usarmos de maneira santificada, nos ajudar a vencer o pecado, a ignorância e a insensatez. Estar sentado ouvindo a voz de Deus de um modo místico, quando Ele já está falando conosco e expressando Sua vontade através da lei da não-contradição e a ascensão do sol não é espiritualmente saudável.</p>
<p><strong>Em poucas palavras, a Educação Clássica se diferencia da Educação Atual porque seu objetivo, seus meios e seu fim são outros</strong>. O objetivo é cultivar a sabedoria e a virtude, fazer o aluno aprender a aprender e a pensar. Os meios são por a verdade acima do poder e dos bens desta terra. A virtude, acima da socialização. A dialética honesta acima do empirismo. As sete artes acima da manipulação e da ideologia. O fim da Educação Clássica, por sua vez, é a felicidade humana, que consiste na contemplação da Verdade, na contemplação de Deus!</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Método preventivo de Dom Bosco</title>
		<link>https://colegiosantoafonso.org/metodo-preventivo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[suporte]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Jan 2019 13:02:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Texto de Autoria de S. João Bosco Fui instado várias vezes a expressar, verbalmente ou por escrito, o meu pensamento sobre o chamado Sistema Preventivo, que se costuma praticar em nossas casas. Por falta de tempo, não pude ainda satisfazer esse desejo. Querendo agora imprimir o Regulamento, que até hoje &#8230; </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">Texto de Autoria de S. João Bosco</p>
<p>Fui instado várias vezes a expressar, verbalmente ou por escrito, o meu pensamento sobre o chamado <strong>Sistema Preventivo</strong>, que se costuma praticar em nossas casas. Por falta de tempo, não pude ainda satisfazer esse desejo. Querendo agora imprimir o Regulamento, que até hoje tem sido usado sempre tradicionalmente entre nós, julgo oportuno expor aqui um rápido esboço. Isso será como o índice de um opúsculo que estou elaborando, se Deus me der vida para levá-lo a termo. Move-me a isso apenas a vontade de colaborar na difícil arte da educação juvenil. Direi, portanto, em que consiste o Sistema Preventivo, e por que se deve preferir; sua aplicação prática e vantagens.</p>
<h4>Em que consiste o Sistema Preventivo e por que se deve preferir</h4>
<p>São dois os sistemas até hoje usados na educação da juventude: o Preventivo e o Repressivo:</p>
<p>O Sistema Repressivo consiste em fazer que os súbditos conheçam a lei, e depois vigiar para saber os seus transgressores e infligir-lhes, quando necessário, o merecido castigo. Nesse sistema, as palavras e o semblante do superior devem constantemente ser severos e até ameaçadores, e ele próprio deve evitar toda a familiaridade com os dependentes. O diretor, para dar mais prestígio à sua autoridade, raro deverá achar-se entre os dependentes e quase unicamente quando se trata de ameaçar ou punir. Esse sistema é fácil, menos trabalhoso. Serve especialmente para soldados e, em geral, para pessoas adultas e sensatas, que devem, por si mesmas, estar em condições de saber e lembrar o que é conforme às leis e outras prescrições.</p>
<p>Diferente e, eu diria, oposto é o Sistema Preventivo. Consiste em tornar conhecidas as prescrições e as regras de uma instituição, e depois vigiar de modo que os alunos estejam sempre sob os olhares atentos do diretor ou dos assistentes. Estes, como pais carinhosos, falem, sirvam de guia em todas as circunstâncias, dêem conselhos e corrijam com bondade. Consiste, pois, em colocar os alunos na impossibilidade de cometerem faltas.</p>
<p>O sistema apóia-se todo inteiro na razão, na religião e na bondade. Exclui, por isso, todo o castigo violento, e procura evitar até as punições leves. Parece preferível pelas seguintes razões:</p>
<ol>
<li>O aluno, previamente avisado, não fica abatido pelas faltas cometidas, como sucede quando são levadas ao conhecimento do superior. Não se irrita pela correção feita nem pelo castigo ameaçado, ou mesmo infligido, pois a punição contém em si um aviso amigável e preventivo que o leva a refletir e, as mais das vezes, consegue granjear-lhe o coração. Assim o aluno reconhece a necessidade do castigo e quase o deseja.</li>
<li>A razão mais essencial é a volubilidade do menino, que num instante esquece as regras disciplinares e o castigo que ameaçam. Por isso é que, amiúde, se torna um menino culpado e merecedor de uma pena em que nunca pensou, e de que absolutamente não se lembrava no momento da falta cometida, e que teria por certo evitado, se uma voz amiga o tivesse advertido.</li>
<li>O Sistema Repressivo pode impedir uma desordem, mas dificilmente melhorará os culpados. Diz a experiência que os jovens não esquecem os castigos recebidos, e geralmente conservam ressentimento acompanhado do desejo de sacudir o jugo e até de tirar vingança. Podem, às vezes, parecer indiferentes; mas quem lhes segue os passos sabe quão terríveis são as reminiscências da juventude. Esquecem facilmente os castigos que recebem dos pais; muito dificilmente, porém, os dos educadores. Há casos de alguns que na velhice se vingaram com brutalidade de castigos justos que receberam nos anos de sua educação. O Sistema Preventivo, pelo contrário, granjeia a amizade do menino, que vê no assistente um benfeitor que o adverte, quer fazê-lo bom, livrá-lo de dissabores, castigos e desonra.</li>
<li>O Sistema Preventivo predispõe e persuade de tal maneira o aluno, que o educador poderá em qualquer lance falar-lhe com a linguagem do coração, quer no tempo da educação, quer ao depois. Conquistado o ânimo do discípulo, poderá o educador exercer sobre ele grande influência, avisá-lo, aconselhá-lo, e também corrigi-lo, mesmo quando já colocado em qualquer trabalho ou empregos públicos, ou no comércio. Por essas e muitas outras razões, parece que o Sistema Preventivo deve preferir-se ao Repressivo.</li>
</ol>
<h4>Aplicação do Sistema Preventivo</h4>
<p>A prática desse sistema baseia-se toda nas palavras de S. Paulo: “<em>Charitas benigna est, patiens est; omnia suffert, omnia sperat, omnia sustinet</em>”. A caridade é benigna e paciente; tudo sofre, mas espera tudo e suporta qualquer incômodo. Por isso, somente o cristão pode aplicar com êxito o Sistema Preventivo. Razão e Religião são os instrumentos de que o educador se deve servir; deve inculcá-los, praticá-los ele mesmo, se quiser ser obedecido e alcançar os resultados que deseja.</p>
<ol>
<li>Deve, pois, o diretor consagrar-se totalmente aos seus educandos: jamais assuma compromissos que o afastem das suas funções, Pelo contrário, permaneça sempre com seus alunos, todas as vezes que não estiverem regularmente ocupados, salvo estejam por outros devidamente assistidos.</li>
<li>A moralidade dos professores, mestres de oficina, assistentes, deve ser notória. Esforcem-se eles por evitar, como epidemia, toda a sorte de afeições ou amizades sensíveis com os alunos, e lembrem-se de que o descaminho de um só pode comprometer um instituto educativo. Veja-se que os alunos não fiquem jamais sozinhos. Porquanto possível, os assistentes sejam os primeiros em achar-se no lugar onde os alunos se devem reunir; entretenham-se com eles enquanto não vier um substituto; nunca os deixem desocupados.</li>
<li>Dê-se ampla liberdade de correr, pular e gritar, à vontade. Os exercícios ginásticos e desportivos, a música, a declamação, o teatro, os passeios, são meios eficacíssimos para se alcançar a disciplina, favorecer a moralidade e conservar a saúde. Mas haja cuidado em que a matéria das diversões, as pessoas que tomam parte, as falas, não sejam repreensíveis. “Fazei quanto quiserdes”, dizia o grande amigo da juventude, S. Filipe Néri, “a mim me basta não cometais pecados”.</li>
<li>A confissão freqüente, a comunhão freqüente e a missa cotidiana são as colunas que devem sustentar um edifício educativo, do qual se queira eliminar a ameaça e a vara. Nunca se obriguem os jovens a freqüentar os santos sacramentos: basta encorajá-los e dar-lhes comodidade de se aproveitarem deles. Nos exercícios espirituais, tríduos, novenas, pregações, catecismos, ponha-se em relevo a beleza, a sublimidade, a santidade da Religião, que oferece meios tão fáceis, tão úteis à sociedade civil, à paz do coração, à salvação da alma, como são precisamente os santos sacramentos. Dessa maneira, estimulam-se os meninos a querer, espontaneamente, essas práticas de piedade; haverão de cumpri-las de boa vontade, com prazer e fruto.</li>
<li>Use-se a máxima vigilância para impedir que entrem no instituto companheiros, livros ou pessoas que tenham más conversas. A escolha de um bom porteiro é um tesouro para uma casa de educação.</li>
<li>Todas as noites, após as orações de costume e antes que os alunos se recolham, o diretor, ou quem por ele, dirija em público algumas afetuosas palavras, dando algum aviso ou conselho sobre o que convém fazer ou evitar. Tire-se a lição moral de acontecimentos do dia, sucedidos em casa ou fora; mas a sua alocução não deve passar de dois ou três minutos. Essa é a chave da moralidade, do bom andamento e do bom êxito da educação.</li>
<li>Afaste-se como a peste a opinião dos que pretendem diferir a primeira comunhão para uma idade demasiado adiantada, quando em geral o demônio já se apossou do coração dos meninos, com incalculável dano da sua inocência. Conforme a disciplina da Igreja primitiva, costumava dar-se às crianças as hóstias consagradas que sobravam da comunhão pascal. Isso demonstra quanto preza a Igreja sejam os meninos admitidos mais cedo à santa comunhão. Quando uma criança pode distinguir entre Pão e pão, e revela instrução suficiente, já não se olhe para a idade, e venha o Soberano Celeste reinar nessa alma abençoada.</li>
<li>Os catecismos recomendam a comunhão freqüente: S. Filipe Néri aconselhava-a cada oito dias e ainda mais amiúde. O Concílio Tridentino diz claro que deseja sumamente que todos os fiéis, quando ouvem a santa missa, façam também a comunhão. Porém seja a comunhão não só espiritual, mas ainda sacramental, a fim de que se tire maior fruto desse augusto e divino sacrifício (Concílio Tridentino, Sess. XXII, capítulo VI).</li>
</ol>
<h4>Utilidade do Sistema Preventivo</h4>
<p>Dir-se-á que esse sistema é difícil na prática. Observo que da parte dos alunos torna-se bastante mais fácil, agradável e vantajoso. Para o educador, encerra alguma dificuldade que, porém, diminuirá se ele se entregar com zelo à sua missão. O educador é um indivíduo consagrado ao bem de seus alunos: por isso, deve estar pronto a enfrentar qualquer incômodo e canseira, para conseguir o fim que tem em vista: a formação cívica, moral e científica dos seus alunos.</p>
<p>Além das vantagens acima expostas, acrescenta-se ainda o seguinte:</p>
<ol>
<li>O aluno conservará sempre grande respeito para com o educador e lembrará com gosto a educação recebida e considerará ainda os seus mestres e demais superiores como pais e irmãos. Esses alunos, nos lugares para onde forem, serão, as mais das vezes, o consolo da família, cidadãos prestimosos e bons cristãos.</li>
<li>Qualquer que seja o caráter, a índole, o estado moral do aluno ao ser admitido, podem os pais viver seguros de que seu filho não vai piorar, e considera-se como certo que se alcançará sempre alguma melhora. Antes, meninos houve que depois de terem sido por muito tempo o flagelo dos pais, e, até, rejeitados pelas casas de correção, educados segundo esses princípios, mudaram de índole e caráter, deram-se a uma vida morigerada, e presentemente ocupam posição distinta na sociedade, tornando-se, desse modo, o amparo da família e honra do lugar em que moram.</li>
<li>Os alunos que por acaso entrassem num instituto com maus hábitos, não podem prejudicar os seus companheiros. Nem os meninos bons poderão ser por eles contaminados, porque não haveria tempo, nem lugar, nem ocasião, pois o assistente, que supomos presente, logo lhes acudiria.</li>
</ol>
<h4>Uma palavra sobre os castigos</h4>
<p>Que norma seguir para dar castigos? — Por quanto possível, jamais se faça uso de castigos. Quando, porém, a necessidade o exige, observe-se quanto segue:</p>
<ol>
<li>O educador entre os alunos procure fazer-se amar se quer fazer-se respeitar. Nesse caso, a subtração da benevolência é um castigo que desperta emulação, infunde coragem sem deprimir.</li>
<li>Entre os meninos é castigo o que se faz passar por castigo. Observou-se que um olhar não amável produz para alguns maior efeito que uma bofetada. O elogio quando uma ação é bem feita. a repreensão quando há desleixo, é já um prêmio ou castigo.</li>
<li>Salvo raríssimos casos, as correções, os castigos, nunca se dêem em público, mas em particular, longe dos companheiros, e empregue-se a máxima prudência e paciência para que o aluno compreenda a sua falta, à luz da razão e da religião.</li>
<li>Bater, de qualquer modo que seja, pôr de joelhos em posição dolorosa, puxar orelhas, e outros castigos semelhantes, devem-se absolutamente banir, porque são proibidos pelas leis civis, irritam sobremaneira os jovens e desmoralizam o educador.</li>
<li>Torne o diretor bem conhecidas as regras, os prêmios e os castigos sancionados pelas leis disciplinares, a fim de que o aluno não possa desculpar-se dizendo: “Eu não sabia que isso era mandado ou proibido”.</li>
</ol>
<p>Se em nossas casas se puser em prática este sistema, creio poderemos alcançar grande resultado, sem recorrermos a pancadarias, nem a outros castigos violentos. Há quarenta anos, mais ou menos, que trato com a juventude, não me lembra ter usado castigo de espécie alguma. Com o auxílio de Deus, não só obtive sempre o que era de dever, mas ainda o que eu simplesmente desejava, e isso daqueles mesmos meninos dos quais se havia perdido a esperança de bom resultado.</p>
<p style="text-align: right;">P. Gio. Bosco</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A necessidade das escolas católicas</title>
		<link>https://colegiosantoafonso.org/a-necessidade</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[suporte]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Dec 2018 23:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Papa Pio XI publicou a Encíclica Divini Illius Magistri[note]Grande parte deste artigo foi baseado na Encíclica Divini Illius Magistri do Papa Pio XI, de 31.dez.1929. Todas as frases em itálico do texto foram retiras ipsis literis da mencionada encíclica.[/note] com o objetivo singular de proferir salutares palavras, ora de &#8230; </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Papa Pio XI publicou a <a href="https://salvemaria.com.br/divini-illius-magistri">Encíclica <em>Divini Illius Magistri</em></a>[note]Grande parte deste artigo foi baseado na <a href="https://salvemaria.com.br/divini-illius-magistri">Encíclica <em>Divini Illius Magistri</em> </a>do Papa Pio XI, de 31.dez.1929. Todas as frases em itálico do texto foram retiras<em> ipsis literis</em> da mencionada encíclica.[/note] com o objetivo singular de proferir <em>salutares palavras, ora de advertência, ora de incitamento, ora de direção, não só aos jovens e aos educadores, mas também aos pais e mães de família, acerca de <strong>vários problemas da educação cristã</strong></em>, tendo em vista haver em nossos tempos a falta de claros e sãos princípios.</p>
<p>A Educação cristã é de imensa importância porque direciona o homem a formar-se e portar-se na vida terrena de modo a alcançar o fim sublime para o qual foi criado, ou seja, a salvação de sua alma e de quem mais possa auxiliar, conhecendo, amando e servindo ao Seu Senhor, a fim de gozá-lO eternamente[note]Questão 55 do Catecismo de S. Pio X.[/note].</p>
<p>O Santo Padre então manifesta a excelência da obra da educação cristã por ser um meio eficiente para assegurar o Sumo Bem às almas dos educandos e a máxima felicidade possível à sociedade humana. Portanto, este é o modo mais eficaz de cooperar com Deus no aperfeiçoamento das pessoas, mediante a impressão da mais poderosa e duradoura direção na vida, pois o “o jovem mesmo ao envelhecer, não se afastará do caminho trilhado na sua juventude”[note]Prov. XXII, 6[/note].</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>A função primordial da Igreja e o auxílio essencial das Famílias e do Estado</strong></p>
<p>Há constatada superioridade da Igreja em exercer a missão educativa, mas não exclusividade, pois, enquanto exerce a ordem superior e sobrenatural da educação, cede ao Estado e à Família a ordem natural, de modo que a primeira ordem eleva e aperfeiçoa a outra, e ambas prestam auxílio entre si.</p>
<p>A Família recebe tão logo a missão de Deus e o direito de educar a prole, inalienável e inseparável, anterior a qualquer ação da sociedade. É ainda direito inviolável, que não pode ser suplantado por qualquer ação externa. Por isso, citando o cânone 1113 do Código de Direito Canônico de 1910, o Papa Pio XI destacou que <em>os pais são gravemente obrigados a cuidar da educação de seus filhos, seja ela religiosa, moral, física e civil</em>.</p>
<p>Importante frisar que nos dizeres do Papa, o poder educativo dos pais, embora inviolável, não é absoluto ou despótico, pois é inseparável da subordinação ao fim último de todo cristão, como alude também o Santo Padre Leão XIII na Carta encíclica <em>Sapientiae Christianae</em>:</p>
<blockquote><p>Por natureza os pais têm direito à formação dos filhos, com esta obrigação a mais, que a educação e instrução da criança esteja de harmonia com o fim em virtude do qual, por benefício de Deus, tiveram prole. Devem portanto os pais esforçar-se e trabalhar energicamente por impedir qualquer atentado nesta matéria, e assegurar de um modo absoluto que lhes fique o poder de educar cristãmente os filhos, como é da sua obrigação, e principalmente o poder de negá-los àquelas escolas em que há o perigo de beberem o triste veneno da impiedade.</p></blockquote>
<p>De modo a assegurar tamanha função, as famílias, durante a história da Igreja, sempre demonstraram intensa confiança nas escolas católicas, por verdadeiramente confiarem na orientação superior da Igreja, que sempre se preocupou em recordar aos pais o dever de batizar e educar cristãmente os filhos.</p>
<p>A Igreja, por direito divino, e a Família, por direito natural, sempre auxiliaram as crianças a alcançar a educação por excelência. Os pais, cuja função primeira é educar os seus, sempre reconheceram humildemente o título da Igreja de Mestra da Verdade, capaz de fornecer os meios mais eficazes para se chegar ao conhecimento de Deus.</p>
<p>A outra figura da ordem natural é o Estado que, primeiramente, não deve usurpar a função precípua da Igreja e da família, a não ser que tenha que suprir alguma deficiência desta última, competindo-lhe promover o bem comum e temporal, o qual também se dá pela preocupação com a educação.</p>
<p>Portanto<em>, é dever do Estado proteger com as suas leis o direito anterior da família sobre a educação cristã da prole e por consequência respeitar o direito sobrenatural da Igreja a tal educação cristã.</em></p>
<p>O Estado deve, enfim, favorecer e ajudar o esforço da Igreja e das famílias, completando-o, quando houver alguma insuficiência, por meio de escolas e instituições próprias, desde de que sempre com o objetivo de proteger a educação moral e religiosa da juventude.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Os erros modernos na educação</strong></p>
<p>Tanto a Igreja quanto as verdadeiras famílias católicas e os Estados fiéis à sã doutrina lutam contra tudo o que não direcione a educação das crianças e jovens à formação sobrenatural, ou seja, ao que o Papa nomeia de <strong>naturalismo pedagógico.</strong> Deve-se negar ainda tudo o que afaste os educandos da essencial doutrina do pecado original e da graça, tamanho é o valor de, desde a mais tenra idade, conhecer a necessidade de <em>corrigir as inclinações desordenadas, excitar e ordenar as boas e sobretudo iluminar a inteligência e fortalecer a vontade com as verdades sobrenaturais e os auxílios da graça, sem a qual não se pode, nem dominar as inclinações perversas, nem conseguir a devida perfeição educativa da Igreja, perfeita e completamente dotada por Cristo com a divina doutrina e os Sacramentos</em>.</p>
<p>O erro está também em todo o sistema que apela para uma autonomia deliberada e ilimitada da criança, ao ponto de suprimir a autoridade do educador. Faz-se isso como se a verdadeira educação católica não aplicasse a cooperação ativa do aluno na sua própria educação, o que é inverídico, pois a hierarquia e o governo não suprimem a criatividade natural das crianças nem prejudicam o aprendizado, mas o enriquecem.</p>
<p>Esta atuação externa à Igreja apresenta uma subtração sistemática da dependência que a educação dever ter da lei divina. Buscam-se códigos morais e universais de educação, na medida em que os dez mandamentos, a tradição católica e a própria lei natural são postas de lado.</p>
<p>Há ainda um levante em favor da alfabetização tardia, baseada no chamado <strong>construtivismo</strong>[note]Fonte: OLIVEIRA, João Batista e Araújo, LEREIS COMO DEUSES, A tentação da proposta construtivista &#8211; 2006.[/note], baseado na ideia de que o aluno não deve ser alfabetizado logo tão novo por ser o processo de alfabetização algo permanente. A ideia é retardar o exercício da linguagem e o estudo do sentido das palavras, por não haver necessidade de que o sistema alfabético seja ensinado cedo, como sempre se fez. Em meios práticos, isto traz, obviamente, uma dificuldade de aprendizado natural da criança na fase primária, já que na fase inicial foi-lhe negada a alfabetização completa.</p>
<p>O construtivismo, paradoxalmente, baseia-se em tudo que deseja destruir o ideário católico, dentre os quais se destacam as ideias progressistas do iluminismo, no qual o homem é composto como ator principal da história, no lugar de Deus, e a doutrina do pecado original é afastada, visto que, como expressa Rousseau, “o homem é bom, a sociedade o corrompe”. O naturalismo, sobre o qual adverte Pio XI, ganha força aqui e dá uma vazão catastrófica à educação, pois tudo passa a se basear na libertação dos chamados instrumentos de opressão, dentre os quais estão os meios tradicionais de educação e a própria escola.</p>
<p>Por esta construção, surge uma <strong>pedagogia revolucionária</strong>, na qual há uma excessiva centralidade no aluno ativo, de modo que o professor passa a ser apenas um colaborador. A função do mestre de ensinar o conhecimento adquirido torna-se prejudicada e dá vez ao descobrimento individual do aluno.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>A solução é a escola católica</strong></p>
<p>Todo erro que recai sobre a Terra possui uma solução, então todo arcabouço errôneo construído em volta da educação pode ser combatido.</p>
<p>Este combate é feito por meio das bases já demonstradas no primeiro tópico. A primeira delas é senão a mais importante. A Igreja sempre combateu todos os erros agindo mediante seus sacramentos, ritos, pela liturgia e pela arte, mas no que se refere à educação, cita-se mais precisamente seu envolvimento por meio das escolas, associações e outras instituições que auxiliam na formação da juventude na piedade religiosa e no estudo das ciências.</p>
<p>Essencial também é a ação poderosa da família cristã que, nadando contra a maré dos erros modernos, exerce o papel precípuo de solidificar a educação dos filhos baseada na sã doutrina, sendo por vezes necessário o estudo e a paciência doméstica para bem instruir os pequenos.</p>
<p>Salutares as palavras do Papa ao dizer que é admirável quando há harmonia entre a Igreja e a família, de modo que se pode expressar que ambas constituem <em>um único templo da educação cristã.</em></p>
<p>O terceiro item naturalmente seria o Estado, mas na verdade, o Papa nos chama atenção com as seguintes palavras: <strong><em>sendo necessário que as novas gerações sejam instruídas nas artes e disciplinas com as quais aproveita e prospera a convivência civil, e sendo para esta obra a família, por si só, insuficiente, daí vem a instituição social da escola</em></strong>.</p>
<p>A escola é, portanto, uma necessidade da família e vem da iniciativa desta e da Igreja e, subsidiariamente, quando necessário, do Estado. Veja, a escola não substitui o papel familiar ou o supremo poder educacional da Igreja, mas de maneira complementar deve agir de modo a harmonizar-se positivamente com ambas. É, portanto, um grande ponto de alcance do objetivo principal da educação cristã.</p>
<p>Para que exerça de maneira louvável seu papel, é necessário que a escola seja católica confessional, ou seja, <em>é indispensável que todo o ensino e toda a organização da escola: mestres, programas, livros, em todas as disciplinas<strong>, sejam regidos pelo espírito cristão, sob a direção e vigilância maternal da Igreja católica, de modo que a Religião seja verdadeiramente fundamento e coroa de toda a instrução</strong>, em todos os graus, não só elementar, mas também media e superior</em>.</p>
<p>Se a escola serve, antes de mais nada, para auxiliar na educação fornecida pela família e pela Igreja, não se pode afirmar que conseguirá exercer sua função precípua quando estiver dividida em métodos diferenciados de ensino ou se for claramente laica.</p>
<p>Por isso, numa realidade como a atual, onde os estados não confessam a verdadeira fé, o papel das famílias em prol das escolas católicas é indispensável. Segundo Pio XI, deve-se fazer uma verdadeira <em>Ação Católica em favor da Escola</em>, de modo a promovê-la e defendê-la por aqueles que ainda não conseguem defender-se, as crianças e jovens. O Papa então proclama que tamanha é a importância dessa ação:</p>
<blockquote><p>Por esta razão, procurando para seus filhos a escola católica (proclame-se bem alto e seja bem compreendido por todos) os católicos de qualquer nação do mundo não exercem uma ação política de partido, mas sim uma <strong>ação religiosa indispensável à sua consciência</strong>; e não entendem já separar os seus filhos do corpo e do espírito nacional, mas antes <strong>educá-los dum modo mais perfeito e mais conducente à prosperidade da nação, pois que o bom católico, precisamente em virtude da doutrina católica, é por isso mesmo o melhor cidadão</strong>, amante da sua Pátria e lealmente submisso à autoridade civil constituída em qualquer legítima forma de governo.</p></blockquote>
<p>É também por meio das escolas católicas que os erros modernos podem se esvair:</p>
<blockquote><p>Nesta escola, em harmonia com a Igreja e com a família cristã, não acontecerá que, nos vários ramos de ensino, se contradiga, com evidente dano da educação, o que os discípulos aprendem na instrução religiosa; e <strong>se for necessário fazer-lhes conhecer, por escrupulosa consciência de magistério, as obras erróneas para as refutar, que seja isso feito com tal preparação e tal antídoto de sã doutrina que resulte para a formação cristã da juventude grande vantagem e não prejuízo</strong>.</p></blockquote>
<p>Por meio delas, deve-se buscar tudo que é essencial, que por decadência de nossos tempos está se perdendo, como o estudo da latinidade e da sã filosofia tomista, distanciando-se da corriqueira superficialidade. Necessário ainda é criar a aptidão e solidez no ensino das letras e das ciências estando tudo isto sempre conforme a fé católica.</p>
<p>Conclui-se, portanto, pela importância e necessidade da escola católica, que, de maneira a complementar a função da Igreja e da família, envolve-se no fim próprio da educação cristã, ou seja, o <em>de cooperar com a graça divina na formação do verdadeiro e perfeito cristão</em>, na formação do <em>homem sobrenatural que pensa, julga e opera constantemente e coerentemente, segundo a sã razão iluminada pela luz sobrenatural dos exemplos e doutrina de Cristo.</em><a href="#_ftnref1" name="_ftn1"></a></p>
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		<title>Os Termos da Educação Clássica</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Dec 2018 17:55:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para uma correta compreensão sobre a educação católica e os princípios da educação clássica, urge esclarecer o significado de alguns termos, tais como Educação, Artes Liberais e Ciências Educação É o cultivo da sabedoria e da virtude na alma através da promoção do verdadeiro, do bom e do belo. Deve &#8230; </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Para uma correta compreensão sobre a educação católica e os princípios da educação clássica, urge esclarecer o significado de alguns termos, tais como Educação, Artes Liberais e Ciências</p>
<h5><strong>Educação</strong></h5>
<p>É o cultivo da sabedoria e da virtude na alma através da promoção do verdadeiro, do bom e do belo. Deve ser distinguida de <em>treinamento, </em>que embora de necessário e grande valor, serve para formar as habilidades necessárias para uma carreira ou profissão, enquanto a educação vê o homem de uma maneira elevada.</p>
<h5><strong>Educação Clássica</strong></h5>
<p>É o cultivo da sabedoria e da virtude através da promoção do verdadeiro, do bom e do belo por meio das sete artes liberais e das quatro ciências. Historicamente, a educação clássica seguiu dois fluxos que frequentemente jorraram juntos:</p>
<ul>
<li><strong>A ênfase Retórica</strong><br />
Em que os professores guiam seus alunos a contemplar os grandes textos e obras de arte, acreditando que esta contemplação os ajudará a crescer em sabedoria e virtude</li>
<li><strong>A ênfase Filosófica<br />
</strong>Em que os professores guiam seus alunos através da análise de ideias por meio do diálogo Socrático, acreditando que o discernimento do coração das coisas permitirá aos alunos crescerem em conhecimento e virtude.</li>
</ul>
<p>Historicamente, essas duas ênfases que embora muitas vezes estiverem em conflito mesmo não sendo mutuamente exclusivas, deram origem a dois modos de instrução: A Instrução <strong>Mimética</strong>, ou Didática, e a Instrução <strong>Socrática</strong>, que veremos mais adiante.</p>
<h5><strong>Educação Clássica Católica</strong></h5>
<p>É o cultivo da sabedoria e da virtude através da promoção do verdadeiro, do bom e do belo por meio das sete artes liberais e das quatro ciências a fim de que em Cristo os estudantes possam melhor conhecer, glorificar e servir a Deus, como bons cristãos e cidadãos.</p>
<p>Como Santo Tomás de Aquino o expressou, resumindo o ensino dos padres da Igreja, <em>a graça não destrói  a natureza, mas a aperfeiçoa. </em>A Educação Clássica Católica <strong>purifica e aperfeiçoa os grandes feitos dos antigos gregos e romanos</strong>. Construir algo mais perfeito sobre o que foi bem construído no passado sempre foi a prática da Igreja, podemos ver isso claramente em Santo Agostinho. Foram os progressistas e pragmatistas do século XX que buscaram, contra o passado, minar essas conquistas.</p>
<h5><strong>Arte</strong></h5>
<p>Arte, no sentido de &#8220;<em>Artes Liberais</em>&#8221; é o modo de produzir algo além da própria arte. <strong>As artes liberais estão ordenadas a produzir conhecimento</strong> e por isso são as artes do pensamento.</p>
<p>De fato, a palavra latina <em>artes </em>é a tradução da grega τέχνες, ou <em>techne, </em>de onde originam palavras como tecnologia ou técnica. Quando uma pessoa aprende uma arte, dirige sua atenção para aprender uma habilidade, não apenas o conteúdo ou informação sobre o tema.</p>
<p>As artes liberais não estão, por isso, preocupadas com a familiaridade superficial em um grande leque de assuntos. Ao invés disso, preocupam-se com as habilidades mentais, com as competências fundamentais de pensamento que são necessárias para aprender qualquer assunto.</p>
<h6><strong>As sete Artes Liberais</strong></h6>
<p>As sete artes liberais são as artes do pensamento. De acordo com a tradição católica, a Razão separa o homem de todos os outros animais.</p>
<p>Em particular, apenas os homens são capazes de pensar usando símbolos, palavras, números, formas e representações musicais ou visuais. Por isso, a habilidade e competência no uso da linguagem são essenciais para o total desenvolvimento da pessoa. As artes dedicadas a refinar nossa habilidade de uso de linguagem são as três artes do <strong>Trivium</strong></p>
<ul>
<li><strong>Gramática</strong><br />
Arte de inventar e combinar símbolos</li>
<li><strong>Lógica, ou Dialética</strong><br />
Arte de pensar</li>
<li><strong>Retórica</strong><br />
Arte de comunicar-se</li>
</ul>
<p>Adicionalmente, nenhum outro animal pode usar números e formas como o homem. Mesmo a música advém de nossa habilidade de ouvir com a alma a relação de números em suas razões e proporções. As artes desenvolvidas para refinar nossa habilidade de usar os números, as formas e suas relações são as quatro artes do <strong>Quadrivium</strong></p>
<ul>
<li><strong>Aritmética</strong><br />
Teoria do número</li>
<li><strong>Música</strong><br />
Aplicação da teoria do número</li>
<li><strong>Geometria</strong><br />
Teoria do espaço</li>
<li><strong>Astronomia</strong><br />
Aplicação da teoria do espaço</li>
</ul>
<p>Juntos, o Trivium e o Quadrivium são chamados artes liberais porque são as artes que todo homem livre pode dominar e as artes que são necessárias para ser livre. O que não é capaz de dominá-las, não é verdadeiramente livre. Por exemplo, aquele que não domina a arte da lógica será vítima de manipuladores, tanto externos (na sociedade) quanto internos (na alma); do mesmo modo, aquele que não domina a arte da retórica será incapaz de expressar seus pensamentos apropriadamente.</p>
<h6><strong>O Trivium</strong></h6>
<p>O Trivium consiste nas três artes verbais da gramática, dialética (ou lógica) e retórica.</p>
<ul>
<li><strong>Gramática</strong><br />
Do grego γραμματικός ou <em>grammatikos</em>, é melhor traduzido por <em>letras</em>, carregando todos os significados que essa palavra tem para nós. A gramática cultiva a habilidade de interpretar símbolos. Primeiro interpretamos letras individuais e fonemas, então interpretamos palavras e, finalmente, interpretamos textos, obras de arte e artefatos;</li>
<li><strong>Lógica ou Dialética<br />
</strong>É a arte de pensamento material e formal. A lógica formal pergunta &#8220;Como pensamos corretamente?&#8221;, isto é, &#8220;Qual a forma de um pensamento válido?&#8221; enquanto a lógica material pergunta &#8220;O que pensamos sobre?&#8221;, isto é, &#8220;Qual a matéria do pensamento?&#8221;;</li>
<li><strong>Retórica<br />
</strong>É a arte de expressar-se bem, embora Aristóteles a reduça para a arte da persuasão.</li>
</ul>
<p>Dorothy Sayers em seu &#8220;<a href="https://drive.google.com/open?id=1Qm5drzwfZEsOWVE901BrsWvSo1oyVKEn"><em>Lost Tools of Learning</em></a>&#8221; desenvolveu uma teoria e aplicação do trivium que sugere que cada arte corresponde ao estado de crescimento de uma criança. Muito do movimento atual de renascimento da Educação Clássica se nutre dessa interpretação.</p>
<h6><strong>O Quadrivium</strong></h6>
<p>O Quadrivium consiste em quatro artes matemáticas. Para raciocinar de forma lógica e estética, o indivíduo deve ser apto a interagir com o que os antigos chamavam magnitude (geometria e astronomia) e multitude (aritmética e música ou harmonia). A mente que não é treinada no quadrivium não é, ainda, verdadeiramente educada.</p>
<ul>
<li><strong>Aritmética</strong><br />
É a arte de aprender as propriedades dos números, como se comportam, como se operam;</li>
<li><strong>Geometria<br />
</strong>É a a arte de aprender as propriedades de formas. É essencial para a lógica dedutiva e raciocínio espacial;</li>
<li><strong>Música<br />
</strong>É a arte da proporção. A Álgebra é um maneira muito eficiente e abstrata de expressar propriedades musicais, mas para nos beneficiar da música, não podemos nos reduzir à Álgebra. A música é uma janela ou mesmo uma porta ao espiritual. Quando um estudante ouve a ordenadas composições, a ordem da matemática penetra diretamente na alma pelo ouvido;</li>
<li><strong>Astronomia<br />
</strong>É a arte das formas em movimento. Poderíamos dizer que é a porta para a Física e demais ciências naturais.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<h5><strong>As Ciências</strong></h5>
<p>A Ciência é o <strong>modo de investigação ou domínio de saber</strong> que surge do modo de investigação da Educação.</p>
<p>A palavra ciência vem do latim <em>scientia </em>que significa conhecimento e não é, absolutamente, limitada aos conhecimentos dados pelas ciências naturais. Posteriormente veremos como entre as ciências estão as ciências naturais, as ciências humanas ou morais, as ciências filosóficas e a ciência teológica, nessa ordem de gradação.</p>
<p>O objetivo da ciência é conhecer as causas das coisas. No século XVII, os cientistas naturais começaram a usar o termo ciência para suas próprias questões, rejeitando tudo o que estivesse fora de suas ferramentas de investigação.</p>
<p>Nós rejeitamos essa falsa asserção e usamos o termo em seu sentido mais correto e clássico.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h6><strong>Ciências Naturais</strong></h6>
<p>As Ciências Naturais são ciências de ordem física, tal qual a biologia, a química e a física. Todas as ciências combinam ou refinam essas três. <strong>A ciência é o domínio do saber ordenado a um princípio unificador, o logos. </strong>O mundo clássico buscou durante séculos este princípio integrador, até que Ele mesmo se fez carne e habitou entre nós. Cristo é o Logos que liga todos os assuntos em uma harmonia universal, faz sentido de todas as coisas e eleva o aprendizado e o conhecimento ao reino do significado eterno.</p>
<ul>
<li><strong>Biologia<br />
</strong>é a ciência ordenada a buscar compreender as causas do ser e da mudança nos seres vivos;</li>
<li><strong>Física</strong><br />
é a ciência ordenada a investigar sobre as forças que provocam mudança no mundo físico;</li>
<li><strong>Química</strong><br />
é a ciência ordenada a investigar sobre os elementos constitutivos das coisas físicas</li>
</ul>
<p>O modo de investigação das ciências naturais é a investigação das causas materiais e eficientes. A observação e a medida são particularmente aptas a esse domínio. O objetivo das ciências naturais é conhecer as causas da mudança no mundo físico, de modo a agir sabia e virtuosamente em relação ao cosmos</p>
<h6><strong>Ciências Humanas</strong></h6>
<p>As Ciências Humanas são as ciências de ordem moral; isto é, são as ciências do comportamento e da alma humana, nomeadamente a ética e a política.</p>
<ul>
<li><strong>Ética</strong><br />
é a ciência que questiona sobre o cumprimento do potencial e sobre o fim do homem. Em uma palavra, pergunta-se como o homem pode se tornar virtuoso. Muitos estudos descendem da ética, como a psicologia.</li>
<li><strong>Política</strong><br />
é a ciência que questiona sobre o conjunto de homens e como ele pode habilitar seus membros e a si mesma para cumprir seu potencial e seu fim. Em uma palavra, pergunta-se como um grupo de homens pode atingir a virtude. Muitos estudos descendem da política, como a economia, história, etc.</li>
</ul>
<p>As ciências humanas são erguidas sobre, de maneira mais elevada, as artes naturais. O modo de investigação das ciências humanas é o compromisso dialético com obras das artes, investigações históricas e reflexões sérias no movimento da alma humana. O objetivo das ciências humanas é conhecer as causas do comportamento humano, de modo a conseguir a virtude para si mesmo e a cultivar nos outros.</p>
<h6>Ciências Filosóficas</h6>
<p>As Ciências Filosóficas são as ciências da metafísica e da epistemologia. O objetivo das ciências filosóficas é conhecer as causas e os limites do conhecimento humano e conhecer a causalidade em si. As ferramentas da investigação filosófica são uma forma altamente refinada de dialética e a contemplação.</p>
<p>É na metafísica que a distinção entre educação modernista e educação clássica é mais claramente vista. Para o modernista, especialmente depois de John Dewey, a metafísica é uma perda de tempo porque só podemos saber o que as ciências naturais nos revelam. Assim, a educação moderna é impulsionada pela experimentação e medição. O educador modernista determinou que o conhecimento é a adaptação de um organismo ao seu ambiente.</p>
<p>O educador clássico, por outro lado, é <strong>deliberadamente metafísico</strong> e não se aproxima da filosofia com desespero. Ele acredita que o mundo em que vivemos é real e é cognoscível. Portanto, para o educador clássico, o conhecimento é adquirido quando aquele que o busca encontra uma ideia incorporada ou encarnada em uma realidade concreta.</p>
<p>Quando o educador modernista ensina, seu objetivo é uma adaptação ao ambiente, ou o que é comumente chamado de <em>aplicação prática</em>. Quando um educador clássico ensina, seu objetivo é sabedoria e virtude. Isso terá muitas aplicações práticas, mas também incluirá a capacidade de saber quando se adaptar ao ambiente &#8211; quando resistir e quando ser martirizado por ele.</p>
<p>A grande ironia é que o modernista torna o aluno incapaz de fazer aplicações práticas sólidas porque ele deturpa a realidade e, assim, dificulta a adaptação a ela. Enquanto isso, o educador clássico permite que o estudante pense em termos de circunstâncias sem abandonar a virtude.</p>
<h6>Ciências Teológicas</h6>
<p>A Ciência Teológica é a ciência do conhecimento da causa primeira, ou do próprio Deus.</p>
<p>Todas as ferramentas das ciências inferiores são usadas para conhecimento teológico, mas o cristão reconhece que a Revelação Divina revela coisas que outras ciências não podem descobrir. O objetivo da teologia é ordenar todo conhecimento para essa primeira causa.</p>
<h5>Princípios Curriculares</h5>
<ol>
<li>Verdade</li>
<li>Bondade</li>
<li>Beleza</li>
<li>Sabedoria</li>
<li>Virtude</li>
<li>Personalidade</li>
<li>Liberdade</li>
<li>Justiça</li>
<li>Comunidade</li>
<li>O Ser</li>
<li>Modo</li>
<li>Mudança</li>
<li>Glória</li>
<li>Honra</li>
<li>Imortalidade</li>
</ol>
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		<title>Introdução à Educação Clássica</title>
		<link>https://colegiosantoafonso.org/introducao</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[suporte]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Dec 2018 17:46:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A educação clássica, normalmente referida por seu nome em inglês, classical education, é a tradicional e venerável forma de educação iniciada na Antiguidade Clássica pelos Gregos e Romanos e desenvolvida sobretudo durante a Idade Média Católica que, longe de ser uma coisa do passado, é provavelmente a resposta mais urgente &#8230; </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A educação clássica, normalmente referida por seu nome em inglês, <em>classical education</em>, é a tradicional e venerável forma de educação iniciada na Antiguidade Clássica pelos Gregos e Romanos e desenvolvida sobretudo durante a Idade Média Católica que, longe de ser uma coisa do passado, é provavelmente a resposta mais urgente e adequada para a crise da educação moderna em que vivemos.</p>
<p>O principal objetivo da educação clássica é a <strong>formação </strong>baseada na convicção de que o homem possui não apenas um ser físico, mas também um ser espiritual, naturalmente dotado de aptidões na esfera da inteligência e da vontade que podem e devem ser moldadas pela educação. Sustentando que a razão humana pode descobrir e entender uma ordem fora de si mesma, uma ordem criada por Deus, a educação clássica católica busca <strong>não apenas ensinar conteúdo, mas formar as mentes</strong>, isto é, ensinar os alunos a aprender por si mesmos, a ter uma visão una dos variados ramos de conhecimento, pensar de maneira ordenada e expressar-se bem de acordo o que pensa.</p>
<p>Como a educação é normalmente feita através da imitação, os alunos na verdadeira educação clássica católica aprendem dos grandes nomes da Antiguidade e dos santos através da literatura, história, filosofia e estudo da religião. Quando a escola dá aos alunos este tesouro de conhecimentos com um objetivo muito maior que &#8220;tirar boas notas&#8221;, desperta-se neles <strong>o amor e a sede de conhecimento</strong>. Ao ensinar-lhes a pensar por si mesmos, não com uma revolta provocada por pensamentos revolucionários e interesses meramente sociais, nem com o pietismo de uma educação frágil e sentimental, nem com a ênfase apenas na técnica e no intelecto, mas com uma formação completa, do intelecto, da moral, da mente e da vida interior, prepara-se o aluno para verdadeiramente enfrentar o mundo.</p>
<h3>Princípios da Educação Clássica Católica</h3>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">GRAÇA</span></p>
<p>Em uma escola católica, aprender não é um fim em si mesmo. Em vez disso, o professor clássico católico pede a Deus que seus ensinamentos, disposições e ações sejam como um instrumento em Suas mãos para cultivar as almas dos estudantes em direção à santidade. Nesse sentido, a aprendizagem pode ser um meio de graça.</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">ORDO AMORIS (ORDEM DOS AFETOS)</span></p>
<p>Para verdadeiramente fazer um bem, devemos orientar-nos à realização do bem imediatamente superior a ele (por exemplo, para verdadeiramente fazer bem o dever de casa, deve-se aprender o conteúdo e tirar boas notas; para verdadeiramente educar os filhos, deve-se educá-los para o céu; para verdadeiramente ser bem sucedido na vida, deve-se buscar o Reino de Deus e sua justiça). Não reconhecer esse princípio em todas as áreas da educação e da vida leva a uma alma desordenada e em uma escola que não consegue fazer bem naquilo que é mais importante. Para desenvolver uma alma bem ordenada, requer-se o cultivo da  moral e da ordenação da vontade e da sensibilidade.</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">EPISTEMOLOGIA</span></p>
<p>A educação é um exercício epistemológico. Isso significa que tudo o que acontece na educação é a promulgação de convicções e premissas sobre o que significa saber e como uma pessoa pode aprender.</p>
<p>A epistemologia clássica católica é racional, moral e pessoal. Ela reconhece que os estudantes vêm a conhecer ideias por meio da consideração deles na natureza e ao seu redor em instâncias particulares.</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">INTEGRAÇÃO</span></p>
<p>O mundo clássico buscou durante séculos um princípio integrador de tudo o que é conhecido. Eles chamaram esse princípio, o Logos.</p>
<p><strong>A educação clássica católica integra todo o ensino em Cristo.</strong> Ele é o Logos que liga todos os assuntos em uma harmonia universal, faz sentido de todas as coisas e eleva o aprendizado e o conhecimento ao reino do significado eterno. Ele é o criador do universo ordenado e da Palavra que explica todas as palavras. Ele é como o sol, dando ordem e sentido aos planetas, e tornando-os conhecíveis em Sua luz. Nele estão todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. Tornar-se um membro do outro no contexto de suas relações com os outros assuntos.</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">RACIONALIDADE</span></p>
<p>Quando um princípio unificador é aplicado a todo o currículo de uma escola e à filosofia da educação, o resultado é um programa caracterizado pela integração, harmonia e uma coerência controlada por princípios.</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">IDEIAS</span></p>
<p>Somente quando as ideias são o foco da aprendizagem o currículo pode ser integrado. Somente quando o currículo é integrado pode-se ajudar as almas a seguirem o seu curso para atingir a integridade adequada a ela.</p>
<p>A alma se alimenta de ideias, e as grandes ideias são mais claramente expressas em bons livros e bons artefatos. Conteúdo e habilidades devem ser dominados para absorver as ideias, mas não devem ser levados como princípios de integração, isto é, como fins em si mesmos.</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">HIERARQUIA DE APRENDIZAGEM</span></p>
<p>Toda aprendizagem depende dos pré-requisitos a serem dominados antes de passar para o próximo nível de conhecimento:</p>
<p>Na educação católica clássica, as <strong>sete artes liberais</strong> servem de base para o conhecimento. São elas a Lógica, a Gramática, a Retórica, a Aritmética, a Geometria, a Astronomia e a Música, que correspondem ao Trivium e ao Quadrivium. A primeira, dá as primeiras etapas para o conhecimento do próprio conhecimento, o modo de pensar e estudar, de formular e expressar esse pensamento. O Quadrivium, por outro lado, inicia o aluno no estudo da natureza, permitindo-o a visão e o estudo da Criação.</p>
<p>Em seguida vêm as<strong> ciências naturais</strong>. Uma pessoa pode apenas dominar as ciências naturais na medida em que dominou as sete artes liberais.</p>
<p>Depois das ciências naturais, vêm as <strong>ciências humanas</strong>, ou as ciências do comportamento humano e da alma. A capacidade do aluno de dominar as ciências humanas depende de seu domínio das ciências naturais.</p>
<p>Depois das ciências humanas na natureza da aprendizagem vêm as <strong>ciências filosóficas e metafísicas</strong>. A capacidade do aluno de dominar as ciências filosóficas depende de seu domínio das ciências humanas.</p>
<p>A pedra angular da aprendizagem são as <strong>ciências teológicas</strong>. Novamente, pela natureza do caso, uma pessoa é capaz de dominar as ciências teológicas apenas no grau em que dominou todas as artes e ciências inferiores.</p>
<p>A remoção de Cristo como o Logos do Currículo levou à desintegração do aprendizado e a especialização dos assuntos sem levar em conta os pré-requisitos e a relação e interdependência entre eles. A Educação Clássica Católica busca reintegrar e ordenar os elementos do currículo.</p>
<p>A educação é uma atividade humana, não meramente naturalista científica; portanto, as ciências humanas devem ser priorizadas. Consequentemente, o professor clássico católico ideal terá atingido domínio pelo menos no nível das ciências humanas (literatura, história, ética e política).</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">MULTUM, NON MULTAS (MUITO, NÃO MUITOS)</span></p>
<p>A educação clássica católica lida profundamente com alguns assuntos, em vez de apressadamente com muitos. As disciplinas refletem sua ênfase nas sete artes liberais, cujo domínio desenvolve o conteúdo e as habilidades que fluem através de todas as disciplinas modernas.</p>
<p>A educação clássica opõe-se à especialização precoce (formação específica em uma disciplina ou habilidade para fins práticos ou profissionais) ou generalizações sem sentido, buscando, ao invés disso, uma educação que consistentemente reconhece a relação de todas as habilidades e disciplinas umas com as outras e ensina as habilidades fundamentais que cada assunto posterior irá requerer.</p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_4356" aria-describedby="caption-attachment-4356" style="width: 560px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-4356" src="https://salvemaria.com.br/wp-content/uploads/2018/06/libartes.jpg" alt="" width="560" height="556" /><figcaption id="caption-attachment-4356" class="wp-caption-text">O estudo das artes liberais são um dos fundamentos principais da educação clássica católica</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">RESPEITO</span></p>
<p>A criança é uma alma viva e eterna a ser nutrida, não um produto a ser moldado. Em geral, as metáforas orgânicas são muito mais adequadas à reflexão sobre a natureza de uma criança do que metáforas industriais ou dados estatísticos.</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">ESTÁGIOS DE CRESCIMENTO</span></p>
<p>A educação deve corresponder ao crescimento da criança, mas ao fazê-lo a qualidade e profundidade da instrução não devem ser sacrificadas aos interesses ou mesmo às habilidades da criança. O propósito da infância é treinar para a vida adulta, não para diversão.</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">GOSTO</span></p>
<p>A educação começa com o cultivo do bom gosto &#8211; isto é, o <strong>gosto pelo bom, pelo belo e pelo verdadeiro</strong>. O bom gosto inclui o gosto pelas virtudes da diligência e da ordem. A ordem é enfatizada no ambiente da Escola Clássica Católica nas almas que vivem nela e nas relações entre as pessoas que nela vivem.</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">GRANDEZA MORAL</span></p>
<p>Como disse Whitehead, “a<em> educação moral é impossível sem a visão da grandeza. Se não somos grandes, não importa o que fazemos</em> ”. A grandeza artificial expressa em vaidade e orgulho é vigorosamente combatida. A grandeza que o católico clássico busca é a verdadeira grandeza da sabedoria e da virtude. Essa visão de grandeza orienta o católico clássico em suas decisões curriculares e na conduta de sua escola.</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">DISCIPLINA</span></p>
<p>A disciplina é a base de todo tipo de criatividade e maturidade.</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">INSTRUÇÃO</span></p>
<p>Desde os tempos mais antigos, os professores reconheceram que o ensino se move em uma de duas direções: da instância particular para a ideia universal (indução), ou da ideia universal para a instância particular (dedução). Dois modos de instrução foram desenvolvidos para otimizar a potência nesses movimentos: o modo didático e o modo socrático, cada um dos quais incorpora elementos de indução e dedução.</p>
<p>A Educação Clássica Católica se esforçará para dominar ambos os modos de ensino, ajustando suas próprias forças e gostos individuais em seus parâmetros. Falando precisamente, não há metodologia clássica quando se entende por método um processo estritamente repetitivo com um resultado previsível. Não há processos estritamente repetidos que possam educar uma alma humana e não há resultados significativos que sejam suficientemente previsíveis.</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">AUTORIDADE</span></p>
<p>Todo professor clássico católico precisa estar comprometido em crescer em seu domínio de todas as sete artes liberais e a escola precisa proporcionar oportunidade para esse crescimento. Além disso, o professor católico clássico ideal fala com autoridade sobre as artes e ciências que ensina. Falar com autoridade é falar com juízo, capacidade que se torna possível quando se compreende as causas de uma coisa.</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">CRESCIMENTO</span></p>
<p>Nenhuma habilidade deve estar livre de desenvolvimento adicional. O professor modela isso e cuida para que o aluno nunca pare de estudar e se desenvolver. O ambiente de uma escola católica clássica cultiva uma comunidade de aprendizado. Toda a instrução nos primeiros anos tem como objetivo a instrução de anos posteriores.</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">VOCAÇÃO E COMISSÃO</span></p>
<p>A comunidade católica clássica é movida pelas exigências de sua vocação (chamado) e comissão (tarefa) e não pelas circunstâncias em que se encontra[note]embora não se possa chegar ao destino enquanto se ignora a estrada pela qual ele está dirigindo e não consegue manter o gás no tanque![/note]</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">REVERÊNCIA</span></p>
<p>O tom da escola, a conduta dos professores, as relações entre todos os membros da comunidade escolar e a linguagem usada na escola católica clássica caracterizam-se pela reverência e sobriedade. O respeito, a sublimidade e a alegre solenidade descrevem a atmosfera e são os alicerces da submissão em toda a escola. “Dignitas” e “nobilitas” são exigidas de todos os membros da comunidade escolar.</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">HIERARQUIA </span></p>
<p>O menor é abençoado pelo maior “sem controvérsia”. Os professores jamais podem, como defendem pedagogias modernas, afundar-se ao nível do aluno, mas deve elevar o aluno ao nível do professor. Um muro de separação deve ser mantida entre o professor e o aluno. A submissão e o respeito guiam aqueles que são inferiores na hierarquia, enquanto a humildade e o dever guiam aqueles que são superiores; a autoridade é derivada do papel e as pessoas são contratadas somente quando têm as qualificações, ou seja, os pré-requisitos exigidos pela natureza do cargo, para cumprir os deveres implícitos na função.</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">PERSPECTIVA HISTÓRICA</span></p>
<p>O católico clássico reconhece que ele vive em um <em>continuum</em> histórico e que seu dever de dar honra a quem é devido se estende tanto a seus antepassados quanto a seus descendentes.</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">PROPRIEDAE</span></p>
<p>O católico clássico cultiva deliberadamente uma formalidade na atmosfera da escola. Ele procura, não a formalidade artificial do arrogante e orgulhoso, mas a verdadeira formalidade do sábio que continuamente procura dar a cada ideia sua expressão apropriada. O princípio orientador da formalidade católica clássica é a adequação da forma, não a conveniência da expressão.</p>
<p><span style="font-weight: 600; color: #777;">PRESTAÇÃO DE CONTAS</span></p>
<p>O conhecimento, as percepções ou as experiências que nos são dadas colocam em cada um de nós o dever de serviço. “A quem muito é dado, muito será pedido”. O que fazemos com o que nos é dado é o princípio de nossa responsabilidade.</p>
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		<title>A Carta de Roma de Dom Bosco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[suporte]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Dec 2018 17:41:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Texto de autoria de S. João Bosco Perto ou longe, eu penso sempre em vós. Meu único desejo é ver-vos felizes no tempo e na eternidade. Esse pensamento e esse desejo é que me levaram a escrever-vos esta carta. Sinto, meus caros, o peso do afastamento, e o fato de &#8230; </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">Texto de autoria de S. João Bosco</p>
<p>Perto ou longe, eu penso sempre em vós. Meu único desejo é ver-vos felizes no tempo e na eternidade. Esse pensamento e esse desejo é que me levaram a escrever-vos esta carta. Sinto, meus caros, o peso do afastamento, e o fato de não vos ver nem ouvir me aflige como não podeis imaginar. Desejaria por isso escrever-vos estas linhas há uma semana, mas as contínuas ocupações me impediram. Todavia, embora faltem poucos dias para minha volta, quero antecipar minha chegada ao menos por carta, já que não posso fazê-lo pessoalmente. São palavras de quem vos ama carinhosamente em Jesus Cristo e tem obrigação de falar-vos com a liberdade de um pai. Haveis de permiti-lo, não é verdade? E me prestareis atenção e poreis em prática o que vou dizer-vos.</p>
<p>Afirmei que sois o único e contínuo pensamento de minha mente. Ora, numa das noites passadas, havia-me recolhido ao quarto, e, enquanto me dispunha a repousar, tinha começado a rezar as orações que minha boa mãe me ensinou. Nesse momento, não sei bem se dominado pelo sono ou fora de mim por uma distração, pareceu-me ver dois dos antigos jovens do Oratório virem ao meu encontro.</p>
<p>Um deles aproximou-se e saudando-me afetuosamente me disse:</p>
<blockquote><p>Dom Bosco, não me conhece?</p>
<p>— Sim, te conheço, respondi.</p>
<p>E lembra-se ainda de mim? — acrescentou o homem.</p>
<p>— De ti e de todos os outros. És Valfrè e estavas no Oratório antes de 1870.</p>
<p>Diga — continuou Valfrè —, quer ver os jovens que estavam no Oratório no meu tempo?</p>
<p>— Sim, mostra-me — respondi —, isso vai dar-me grande prazer.</p></blockquote>
<p>Então Valfrè mostrou-me todos os jovens com o mesmo semblante, estatura e idade daquele tempo. Parecia-me estar no antigo Oratório na hora do recreio. Era uma cena cheia de vida, movimento, alegria. Quem corria, quem pulava, quem fazia pular. Aqui brincava-se de rã, de barra, ou com bola. Num lugar uma roda de jovens pendia dos lábios de um padre, que lhes contava uma história. Noutro, um clérigo no meio de outros meninos brincava de burro voa e de jerônimo. Cantava-se, ria-se por todos os cantos e em toda parte encontravam-se padres e clérigos, e ao redor deles jovens brincando e gritando alegremente. Via-se que entre jovens e superiores reinava a maior cordialidade e confiança. Eu estava encantado com o espetáculo. Valfrè me disse então:</p>
<blockquote><p>Veja, a familiaridade gera o afeto e o afeto produz confiança. Isto é que abre os corações, e os jovens manifestam tudo sem temor aos mestres, assistentes e superiores, Tornam-se sinceros na confissão e fora da confissão e se prestam docilmente a tudo o que porventura lhes mandar aquele de quem têm certeza de serem amados.</p></blockquote>
<p>Nesse instante aproximou-se de mim o outro ex-aluno, de barba toda branca, e me disse:</p>
<blockquote><p>Dom Bosco, quer conhecer e ver agora os jovens que atualmente estão no Oratório? (Era José Buzzetti).</p>
<p>— Sim, respondi; porque há já um mês que não os vejo!</p></blockquote>
<p>E apontou-os para mim: vi o Oratório e todos vós no recreio. Mas já não ouvia gritos de alegria e cantos, não via o movimento e a vida da cena anterior. Nos modos e nos rostos de muitos jovens lia-se enfado, cansaço, mau humor, desconfiança que me fazia sofrer o coração. Vi, é verdade, muitos a correr, brincar, agitar-se, com feliz despreocupação, mas muitos outros estavam sós, encostados às colunas, dominados por pensamentos desalentadores; encontravam-se outros pelas escadas e nos corredores ou na sacada perto do jardim para evitar o recreio comum; outros passeavam lentamente em grupos falando em voz baixa, lançando ao derredor olhares desconfiados e maliciosos. Sorriam de vez em quando, mas com um sorriso acompanhado de olhares que faziam suspeitar e até mesmo acreditar que S. Luis haveria de corar se andasse em tal companhia; mesmo entre os que brincavam alguns havia tão enfarados, que mostravam claramente não achar nenhum gosto nos divertimentos.</p>
<blockquote><p>Viu seus jovens? — perguntou-me o ex-aluno.</p>
<p>— Vejo-os —, respondi suspirando.</p>
<p>Como são diferentes do que éramos nós em nosso tempo! — exclamou o ex-aluno.</p>
<p>— É Pena! Quanta falta de vontade nesse recreio!</p>
<p>De aí é que vem a frieza de tantos meninos na freqüência dos santos Sacramentos, o desleixo das práticas de piedade na igreja e fora; o estar de má vontade num lugar onde a Divina Providência os cumula,de todo bem para o corpo, para a alma, para a inteligência. De aí não corresponderem muitos à sua vocação; de aí a ingratidão para com os superiores; de aí os segredinhos e as murmurações, com todas as demais deploráveis conseqüências.</p>
<p>— Compreendo, entendo — respondi —. Mas como reanimar estes meus caros jovens, para que retomem a antiga vivacidade, alegria, expansão?</p>
<p>Com o amor!</p>
<p>— Com o amor? Mas os meus jovens não são bastante amados? Sabes quanto os amo. Sabes quanto por eles sofri e tolerei no decorrer de bem quarenta anos, e quanto suporto e sofro mesmo agora. Quantas privações, quantas humilhações, quantas oposições, quantas perseguições para dar-lhes pão, casa, professores e especialmente para garantir-lhes a salvação da alma. Fiz tudo quanto soube e pude por eles, que são o amor de toda a minha vida.</p>
<p>Não falo do senhor!</p>
<p>— De quem então? Dos que me fazem as vezes? Dos diretores, prefeitos, professores, assistentes? Não vês como são mártires do estudo e do trabalho? Como consomem sua juventude por aqueles que a Divina Providência lhes confiou?</p>
<p>Vejo, sei perfeitamente; mas isso não basta. Falta o melhor.</p>
<p>— Que é que falta, então?</p>
<p>Que os jovens não somente sejam amados, mas que eles próprios saibam que são amados.</p>
<p>— Mas, afinal, não têm olhos? Não têm a luz da inteligência? Não vêem que tudo o que por eles se faz é por amor deles?</p>
<p>Não, repito, isso não basta.</p>
<p>— Que é preciso, então?</p>
<p>Que sendo amados nas coisas que lhes agradam, com participar em suas inclinações infantis, aprendam a ver o amor nas coisas que naturalmente pouco lhes agradam, como a disciplina, o estudo, a mortificação de si mesmos; e aprendam a fazer essas coisas com entusiasmo e amor.</p>
<p>— Explica-te melhor.</p>
<p>Observe os jovens no recreio.</p></blockquote>
<p>Observei e respondi: — E que há de especial para ver?</p>
<blockquote><p>Há já tantos anos que vive a educar os jovens e não entende? Olhe melhor! Onde estão os nossos salesianos?</p></blockquote>
<p>Observei e vi que bem poucos padres e clérigos se misturavam com os jovens e bem menos ainda eram os que tomavam parte em seus divertimentos. Os superiores já não eram a alma do recreio. A maior parte deles passeava conversando entre si, sem ligar ao que faziam os alunos; outros olhavam o recreio sem se preocuparem absolutamente com os jovens; outros vigiavam, mas tão de longe que não poderiam perceber se os jovens cometiam alguma falta; um ou outro avisava mas em atitude ameaçadora e bem de raro. Ainda havia um ou outro salesiano que gostaria de intrometer-se no meio dos jovens; vi, porém, que estes procuravam propositalmente afastar-se dos professores e superiores.</p>
<p>Então meu amigo continuou: — Nos velhos tempos do Oratório o senhor não estava sempre no meio dos jovens, especialmente na hora do recreio? Lembra aqueles belos anos? Era um santo alvoroço, um tempo que lembramos sempre com saudade, porque o afeto é que nos servia de regra, e nós não tínhamos segredos para o senhor.</p>
<blockquote><p>— Certamente. Tudo então era alegria para mim. Os jovens corriam ao meu encontro, para falar-me; ansiavam por ouvir meus conselhos e pô-los em prática. Vês, porém, que agora as contínuas audiências, os muitos afazeres e minha saúde não o permitem</p>
<p>Está bem: mas se o senhor não pode, por que seus salesianos não o imitam? Por que não insiste, não exige que tratem os jovens como o senhor os tratava?</p>
<p>— Eu falo, canso-me de falar, entretanto muitos não se sentem dispostos a enfrentar os trabalhos como outrora.</p>
<p>E então descuidando o menos, perdem o mais, e esse “mais” são seus trabalhos. Amem o que agrada aos jovens e os jovens amarão o que aos superiores agrada. E assim ser-lhes-á fácil o trabalho. A causa da mudança atual no Oratório é que bom número de jovens não tem confiança nos superiores.<br />
Antigamente os corações estavam todos abertos aos superiores, a quem os jovens amavam e obedeciam prontamente. Mas agora os superiores são considerados como superiores e não como pais, irmãos e amigos; são pois temidos e pouco amados. Por isso, se se quiser formar um só coração e uma só alma, é preciso que por amor de Jesus se rompa a barreira fatal da desconfiança e se lhe substitua uma confiança cordial. Guie pois a obediência o aluno como a mãe guia o filhinho; reinará então no Oratório a paz e a antiga alegria.</p>
<p>— Como fazer então para romper a barreira?</p>
<p>Familiaridade com os jovens especialmente no recreio. Sem familiaridade não se demonstra afeto e sem essa demonstração não pode haver confiança. Quem quer ser amado deve demonstrar que ama. Jesus Cristo fez-se pequeno com os pequenos e carregou as nossas fraquezas. Aí está o mestre da familiaridade! O professor visto apenas na cátedra é professor e nada mais, mas se está no recreio com os jovens torna-se irmão.</p></blockquote>
<p>Se alguém é visto somente a pregar do púlpito, dir-se-á que está fazendo apenas o próprio dever; mas se diz uma palavra no recreio, é palavra de alguém que ama. Quantas conversões não provocaram algumas palavras suas ditas ocasionalmente aos ouvidos de um jovem enquanto brincava!</p>
<p>Quem sabe que é amado, ama; e quem é amado alcança tudo, especialmente dos jovens. A confiança estabelece uma corrente elétrica entre jovens e superiores. Os corações se abrem e dão a conhecer suas necessidades e manifestam seus defeitos. Esse amor faz os superiores suportarem canseiras, aborrecimentos, ingratidões, desordens, faltas e negligências dos meninos. Jesus Cristo não quebrou a cana já partida, nem apagou a mecha que fumega.</p>
<p>Eis vosso modelo. Então não se verá ninguém mais trabalhar apenas por vanglória; punir somente para satisfazer o amor próprio ofendido, retirar-se do campo da vigilância tão-somente por ciúme de temida preponderância alheia; murmurar dos outros querendo ser amado e estimado pelos jovens, com exclusão de todos os demais superiores, ganhando nada mais que desprezo e falsas manifestações de carinho; deixar-se roubar o coração por uma criatura e, para fazer-lhe corte, descuidar todos os outros meninos; por amor da própria comodidade julgar de somenos importância o dever importantíssimo da vigilância; por vão respeito humano deixar de advertir quem deve ser advertido.</p>
<p>Se houver esse verdadeiro amor, não se haverá de procurar senão a glória de Deus e a salvação das almas. Se vier a definhar, então é que as coisas já não vão bem. Por que se quer substituir à caridade a frieza de um regulamento? Por que se afastam os superiores da maneira de educar que Dom Bosco ensinou? Por que ao sistema de prevenir com a vigilância e amorosamente as desordens, se vai substituindo pouco a pouco o sistema, menos pesado e mais cômodo para quem manda, de impor leis que se mantêm com castigos, acendem ódios e geram desgostos, e se não se cuida de as fazer observar, geram desprezo aos superiores e causam gravíssimas desordens?</p>
<p>É o que acontece necessariamente se faltar a familiaridade. Se se quiser, pois, que o Oratório volte à antiga felicidade, reponha-se em vigor o antigo sistema: O superior seja tudo para todos, sempre disposto a ouvir qualquer dúvida ou queixa dos jovens, todo olhos para vigiar-lhes paternamente a conduta, todo coração para procurar o bem espiritual e temporal dos que a Providência lhe confiou</p>
<p>Então, já não haverá corações fechados e não se alastrarão mais certos segredinhos que acabam matando. Somente em caso de imoralidade os superiores sejam inexoráveis. É melhor correr perigo de expulsar de casa um inocente, que conservar um escandaloso. Os assistentes considerem gravíssimo dever de consciência relatar aos superiores tudo o que souberem ser de algum modo ofensa de Deus.</p>
<p>Então indaguei:</p>
<blockquote><p>— Qual é o meio mais indicado para que reine essa familiaridade, esse amor e confiança?</p>
<p>A observância exata das regras da casa.</p>
<p>— E nada mais?</p>
<p>O melhor prato de um jantar é o bom humor.</p></blockquote>
<p>Enquanto meu antigo aluno acabava de falar e eu continuava a observar com vivo desprazer o recreio, pouco a pouco senti-me abatido por grande canseira, que ia crescendo cada vez mais. E chegou a tal ponto que não podendo mais resistir, estremeci e acordei.<br />
Encontrei-me de pé junto à cama. As pernas estavam tão inchadas e me doíam tanto que não podia ficar de pé. A hora já ia muito adiantada, de modo que me deitei resolvido a escrever estas linhas a meus filhos.</p>
<p>Desejo não ter sonhos assim, por que me cansam demais. No dia seguinte sentia-me todo moído e não via a hora de descansar na próxima noite. Eis, porém, que, apenas me deitei, o sonho recomeçou. Reaparece o pátio, os jovens que atualmente estão no Oratório, e o mesmo aluno do Oratório. Comecei a interrogá-lo:</p>
<blockquote><p>— Comunicarei aos salesianos o que me disseste; mas que devo dizer aos jovens do Oratório?</p></blockquote>
<p>Respondeu-me:</p>
<blockquote><p>Que reconheçam quanto superiores, mestres e assistentes trabalham e estudam por amor deles, pois se não fosse pelo bem deles não se haviam de sujeitar a tantos sacrifícios; que se lembrem ser a humildade a fonte de toda tranqüilidade; que saibam suportar os defeitos dos outros, porque a perfeição não é deste mundo, mas somente do paraíso; que deixem de murmurar, porque as murmurações esfriam os corações; e sobretudo que procurem viver na santa graça de Deus. Quem não tem paz com Deus, não tem paz nem consigo nem com os outros.</p>
<p>— Queres dizer então que há entre meus jovens alguns que não estão em paz com Deus?</p>
<p>Entre as causas do mal-estar que Dom Bosco conhece, e não vou recordar agora, e às quais deve pôr remédio, esta é a principal. Com efeito, não desconfia senão quem tem segredos a guardar, senão quem teme que tais segredos venham a ser conhecidos, porque sabe que isso lhes traria vergonha e desgraça. Ao mesmo tempo se o coração não está em paz com Deus, fica angustiado, irrequieto, rebelde à obediência, irrita-se por um nonada, parece-lhe que tudo vai mal, e por não ter amor, julga que os superiores não o amam.</p>
<p>— Entretanto, meu caro, não vês quanta freqüência de confissões e comunhões há no Oratório?</p>
<p>É verdade que é grande a freqüência das confissões, mas o que falta radicalmente em muitos meninos que se confessam é a firmeza nos propósitos. Confessam-se, mas sempre das mesmas faltas, das mesmas ocasiões próximas, dos mesmos maus hábitos, das mesmas desobediências, das mesmas transgressões dos deveres. E vai-se assim para a frente meses e meses, e também por vários anos, e alguns chegam assim até o fim do curso secundário. São confissões que pouco ou nada valem; conseqüentemente não trazem a paz. Se o menino fosse chamado nesse estado ao tribunal de Deus, que desgraça não seria.</p>
<p>— E há muitos assim no Oratório?</p>
<p>Poucos em comparação com o grande número de jovens que se encontram na casa. Veja. E apontava.]</p></blockquote>
<p>Olhei e vi os tais jovens um por um. Nesses poucos, porém, vi coisas que me amarguraram profundamente o coração. Não quero pô-las no papel, mas quando voltar quero contar a cada um dos interessados. Aqui apenas vos direi que é tempo de rezar e de tomar firmes resoluções: tomar propósitos não com palavras, mas com fatos, e demonstrar que os Comolos, os Domingos Sávios, os Besuccos e os Saccardis ainda vivem entre nós.<br />
Perguntei por fim ao meu amigo:</p>
<blockquote><p>— Não tens mais nada a dizer-me?</p>
<p>Pregue a todos, grandes e pequenos, que se lembrem sempre de Maria SS. Auxiliadora. Que ela os reuniu aqui para tirá-los dos perigos do mundo, para que se amassem como irmãos, e para que dessem glória a Deus e a ela, com o bom procedimento; que é Nossa Senhora que lhes providencia pão e meios para estudar mediante graças e portentos. Lembrem-se de que estão na vigília da festa de sua Mãe S., e com sua ajuda deve cair a barreira da desconfiança que o demônio soube erguer entre jovens e superiores, e da qual se aproveita para ruína de certas almas.</p>
<p>— E conseguiremos destruir essa barreira?</p>
<p>Sim, certamente, contanto que grandes e pequenos estejam dispostos a sofrer alguma pequena mortificação por amor de Maria e ponham em prática o que eu disse.</p></blockquote>
<p>Entremente, eu continuava a olhar meus jovenzinhos, ante o espetáculo dos que via encaminhar-se para a eterna perdição senti tamanho aperto no coração que acordei. Muitas coisas importantíssimas que eu vi gostaria de contar-vos, mas o tempo e as conveniências não permitem.</p>
<p>Vou concluir. Sabeis o que deseja de vós este pobre velho, que gastou toda a vida por seus caros jovens? Nada mais do que, feitas as devidas proporções, retornem os dias felizes do Oratório primitivo. Os dias do afeto e da confiança cristã entre jovens e superiores; os dias do espírito de condescendência e tolerância por amor de Jesus Cristo de uns para com outros; os dias dos corações abertos com toda a simplicidade e candura; os dias da caridade e da verdadeira alegria para todos. Tenho necessidade de que me consoleis, dando-me a esperança e a promessa de que fareis tudo o que desejo para o bem de vossas almas. Não conheceis suficientemente que felicidade é a vossa de haverdes sido recebidos no Oratório.</p>
<p>Diante de Deus declaro: Basta que um jovem entre numa casa salesiana, para que a Virgem SS. o tome imediatamente debaixo de sua especial proteção, Ponhamo-nos, pois, todos de acordo. A caridade dos que mandam, a caridade dos que devem obedecer faça reinar entre nós o espírito de S. Francisco de Sales. Ó meus caros filhinhos, aproxima-se o tempo em que me deverei separar de vós e partir para a minha eternidade. [note]Nota do secretário: Neste ponto Dom Bosco suspendeu o ditado; os olhos se lhe encheram de lágrimas, não por desgosto, mas por inefável ternura que ressumava de seu olhar e do tom de sua voz; depois de alguns instantes continuou[/note]. Desejo, portanto, deixar-vos a todos, padres, clérigos, jovens caríssimos, no caminho do Senhor, em que Ele próprio vos deseja.</p>
<p>Para tal fim, o Santo Padre, que vi sexta-feira, 9 de maio, vos manda de todo o coração sua bênção.</p>
<p>No dia da festa de Nossa Senhora Auxiliadora estarei convosco ante a imagem de nossa amorosíssima Mãe. Quero que essa grande festa se celebre com toda a solenidade, e o Pe. Lazzero e o Pe. Marchisio providenciem para que estejamos todos alegres também no refeitório. A festa de Maria Auxiliadora deve ser o prelúdio da festa eterna que deveremos celebrar um dia, todos juntos, no paraíso.</p>
<p style="text-align: right;">Vosso afetuosíssimo amigo em Jesus Cristo<br />
P. Gio. Bosco.</p>
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		<title>Santo Inácio e a Educação Católica</title>
		<link>https://colegiosantoafonso.org/santo-inacio-e-a-educacao-catolica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[suporte]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Dec 2018 17:32:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nos primeiros anos após sua conversão, S. Inácio, em seu espírito de cavalaria que, como nobre espanhol, viveu toda a vida, pendurou sua espada ao lado da imagem de Nossa Senhora, como símbolo de que, dali para frente, sua vida seria não mais de guerra humana,  animada por ambições mundanas, &#8230; </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Nos primeiros anos após sua conversão, S. Inácio, em seu espírito de cavalaria que, como nobre espanhol, viveu toda a vida, pendurou sua espada ao lado da imagem de Nossa Senhora, como símbolo de que, dali para frente, sua vida seria não mais de guerra humana,  animada por ambições mundanas, mas de <strong>combate espiritual</strong> e cavalaria espiritual. Ele se propunha, ali, a se tornar um verdadeiro soldado de Cristo.</p>
<p>Por volta de 1523, já tinha em mente os princípios gerais que regeriam o seu trabalho futuro: Soldados de Cristo – mas não quaisquer soldados, mas sim <em>compani, </em>militares de ponta que protegiam e acompanhavam os nobres para a guerra – Daí o nome <em>Companhia de Jesus. </em>S. Inácio queria, inicialmente, converter os turcos na Palestina, mas tendo esse objetivo frustrado, S. Inácio retorna para a Europa com uma visão mais geral para sua Companhia: <strong>Defender o Reinado de Cristo.</strong></p>
<p>Quando S. Inácio decidiu devotar sua vida como <em>miles christi, </em>ele compreendeu a necessidade da <strong>verdadeira educação</strong>. Por isso, com 33 anos, em 1524, o antigo capitão militar não se envergonha de sentar junto às crianças na escola de Barcelona para estudar, finalizando seus estudos superiores dez anos depois, em 1534, ano do nascimento da Companhia de Jesus.</p>
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<h4>A companhia de Jesus</h4>
<p>O objetivo da Companhia de Jesus está claramente expresso em seu lema: <em>Omnia ad majorem Dei Gloriam – Tudo para a maior glória de Deus. </em>Por isso, era dever dos membros trabalhar no crescimento pessoal na virtude e na salvação do próximo com mesmo zelo, através dos exercícios espirituais, das missões e <em>pregações</em>, da defesa da fé, dos <em>escritos</em> apologéticos contra os hereges e infiéis, do <em>ensino</em> do catecismo às crianças e ignorantes, do <em>magistério</em> de filosofia e teologia das universidades e, de maneira especial, através da <strong>educação dos jovens nas escolas e colégios</strong>.  Tal era a importância da educação para a Companhia que ela foi considerada por muitos[note]Cf Prof. Paulsen in Geschichte des gelehrten Unterrichts, vol I, pg. 382[/note] como uma ordem destinada para o ensino da juventude – e, formalmente, a primeira delas.</p>
<p>Outras ordens antes da Companhia de Jesus se dedicaram de maneira extraordinária ao ensino, como os Beneditinos e os Dominicanos; mas nenhuma ordem até ali havia se responsabilizado pela educação dos jovens em suas Constituições, nem pela educação no sentido mais largo, antes priorizando os estudos mais elevados como Filosofia e Teologia.</p>
<p>S. Inácio foi, por isso, o primeiro a assumir a educação da juventude como obra essencial de uma ordem religiosa, como um verdadeiro ministério, como um meio para atingir o objetivo da sua Companhia: A maior glória de Deus e a salvação das almas. Ao contrário dos humanistas radicais da época, S. Inácio via como absolutamente necessário instigar <strong>não apenas os conhecimentos naturais, mas também os princípios da verdadeira religião</strong> na mente dos meninos, pois como diz o sábio: <em>Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele </em><span style="font-size: 8pt;">(Pv 22,6)</span>.  Santo Inácio marca, por isso, o início de uma importante época na história da Educação Católica.</p>
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<h4>O método inaciano</h4>
<p>Mesmo os historiadores protestantes[note]Como Paulsen e Ranke, ibid[/note] e humanistas do século XVI e XVII admitem que as escolas católicas jesuítas foram um enorme sucesso que em muito superava as outras. Isso se deve à<strong> exatidão e fina distinção dos princípios e métodos da Companhia</strong>.</p>
<p>Além do método, muito também se deve aos <strong>professores</strong>, que interessados em fins elevados, distinguiam-se em esforço e capacidade dos demais professores, até então muito desprestigiados socialmente. Compromissados com a mais nobre das causas, a salvação das almas, os jesuítas levavam a educação como um dever de apostolado, e no duplo influxo de dever e honra, extraíam o melhor dos jovens confiados a eles.</p>
<p>Os princípios e características da Companhia de Jesus estão descritos nas suas Constituições, escritas por S. Inácio e aprovadas pelo papa Paulo IV durante o mandato de James Lainez, segundo Superior Geral da Companhia, sucessor de S. Inácio eleito em 1558. A quarta parte das constituições contém os princípios gerais sobre a educação dos jovens. Esses princípios seriam aprofundados e pormenorizados posteriormente, segundo o próprio desejo de S. Inácio.</p>
<p>O número de colégios jesuítas cresceu rapidamente por toda a Europa, mesmo antes da morte de S. Inácio. Mas  embora fossem animados pelos mesmos princípios, esses colégios não tinham ainda um sistema uniforme de educação. Até então, seguia-se mais ou menos o sistema comum à época, aplicando os princípios conforme as constituições gerais. Isso mudou com o Pe. Cláudio Aquaviva, o Quinto Superior Geral da Companhia, que a dirigiu de 1581 a 1615, que também foi responsável pela aprovação das <a href="https://salvemaria.com.br/primeiras-regras">Primeiras Regras da Congregação Mariana</a>. Em 1584, o Pe. Aquaviva reuniu em Roma seis experientes educadores, eleitos entre os membros da Ordem de vários países, com o objetivo de formar o sistema de educação da Companhia para ser aplicado em todo o Mundo. Após anos de trabalho e desenvolvimento[note]A criação da primeira versão da Ratio demorou pouco mais de um ano. Em 1586 se fez seu primeiro rascunho, e de 1586 a 1591 ela foi colocada para discussão, crítica, melhorias, correções, de modo a aperfeiçoa-la. Em 1591, foi enviada para as províncias e após mais oito anos de trabalhos e melhorias, foi concluída em 1599[/note], foi concluída e promulgada pelo Pe. Aquaviva a <em>Ratio atque Institutio Studiorum Societatis Iesu, </em>&#8220;<em>fruto de muitas orações, longos e pacientes esforços e a combinação da sabedoria de toda a ordem</em>&#8221;</p>
<p>A educação dos jovens era considerado tão importante na Companhia que o quarto voto claramente a menciona: <em>Juro por obediência um cuidado especial pela educação dos jovens</em>.</p>
<p>Diz o primeiro parágrafo da <em>Ratio Studiorum</em>:</p>
<blockquote><p>Por ser um dos principais ministérios da nossa Companhia ensinar todos os ramos de conhecimento que, de acordo com nosso Instituto, podem ser ensinados, de modo a levar os homens ao conhecimento e amor ao Criador e ao Redentor, o Provincial deve considerar seu dever zelar com toda diligência e empenho para que os frutos que a graça da nossa vocação requer correspondam aos nossos esforços em nossas escolas</p></blockquote>
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<p>Faremos um aprofundamento sobre a <em>Ratio Studiorum</em> em outro artigo.</p>
<p>Visto tudo isso, não é difícil perceber a crucial importância da que a Companhia de Jesus deu à Educação Católica desde seu princípio. Ver, na educação da juventude, um <strong>apostolado</strong>, um meio de salvação e segurança para a vida cristã, sempre aliado à verdadeira formação intelectual para a vida e profissão, é o que distinguiu a pedagogia inaciana diante dos trabalhos análogos empreendidos pelos protestantes e humanistas radicais, sendo esta responsável pela formação de algumas das maiores mentes da história moderna. Não podemos deixar de lembrar as palavras do Redentor: <em>Buscai primeiro o Reino de Deus e sua justiça, e tudo mais vos será acrescentado</em>[note]Fontes deste artigo</p>
<ul>
<li>Ratio Studiorum de 1599</li>
<li><strong>Jesuit Education – It&#8217;s History and Principles</strong><br />
<em>Robert Schwickerath SJ. 1904</em>[/note].</li>
</ul>
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